Archive for março, 2011

28 de março de 2011

Dicas para bom uso do e-mail corporativo

 

Diariamente, trabalhadores de todo o mundo lidam com uma ferramenta importantíssima no mundo do trabalho: o e-mail. Por mais simples que pareça, a troca de mensagens virtuais no ambiente corporativo ainda gera algumas dúvidas entre funcionários e superiores. Pensando nisso, o Blog da ABRH apurou algumas dicas para o bom uso do e-mail no trabalho. Confira:

Seja responsável

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que e-mails são documentos juridicamente válidos e podem sempre depor contra ou a favor de alguma pessoa. Por isso, pense bem antes de escrever bobagens. Use o e-mail com consciência.

Você é a imagem da empresa

Quando você envia uma mensagem de trabalho, você se torna um porta-voz da empresa. Ou seja, a imagem que as pessoas têm da organização para a qual você trabalha é a sua imagem. Não use termos pejorativos, gírias e frases coloquiais demais. Cuidado com a informalidade. Seriedade e comprometimento têm que partir da postura de qualquer profissional.

Erros de português

Erros de português são inaceitáveis na redação de e-mails corporativos. Conforme falamos acima, você é o representante da empresa e não pode se comprometer por conta de uma distração qualquer. Para evitá-la, leia e releia o que escreveu antes de enviar a mensagem. Com certeza você encontrará frases mal escritas, palavras que não se encaixam e, até mesmo, erros de digitação. Isso é normal e acontece por conta da correria do dia-a-dia. Aproveite essa revisão para corrigir tudo o que encontrar. Esse é um sinal de que, mais do que preocupado com a mensagem, o profissional respeita aquele que irá ler o conteúdo.

Conteúdo indevido

Receber e-mails com piadas, fotos, vídeos, correntes… tudo isso já é muito chato quando acontece nos endereços pessoais, imagine no e-mail do trabalho? Lembre-se que o seu e-mail é mais um espaço de relacionamento profissional. Logo, o funcionário deve usar seu tempo para as tarefas diárias, sem desperdiçá-lo com assuntos desnecessários. Guarde os emoticons, desenhos e caracteres criativos para o e-mail pessoal.

Diminua o risco de má interpretação

Use frases curtas, objetivas, simples e de fácil compreensão. Evite palavras e frases que possam sugerir duplo sentido. Tome cuidado especial com o tom da mensagem a ser enviada. É importante ir direto ao ponto, mas sem ser agressivo. Seja simpático e educado. Nunca é demais.

Cuidado com o campo “para”

Algumas configurações de programas de e-mail possuem uma ferramenta que completa automaticamente o endereço de e-mail do destinatário quando o remetente digita os caracteres iniciais. Muito cuidado. Olhe atentamente este campo para que a mensagem não seja remetida a alguém que não tem nada a ver com o assunto. Previna-se de um constrangimento desnecessário.

Envio de CVs

Nunca, em hipótese alguma, envie seu currículo ou candidatura para uma vaga por meio do e-mail corporativo. Não é bacana para quem envia e muito menos para quem recebe. Demonstra total falta de respeito pela organização para a qual o profissional trabalha. Automaticamente, quem recebe pode pensar que sua atitude pode se repetir no futuro ao ser contratado pela nova empresa. Não se queime no mercado por pouco.

Essas pequenas dicas são básicas, mas devem ser observadas por qualquer empregado. Mais uma vez, lembre-se que você pode responder juridicamente por tudo o que você escreve no seu e-mail. Não vacile!

 

Por Raissa Coppola no http://abrhnacional.org

 

 

27 de março de 2011

As universidades precisam formar sábios

A reitora de Harvard diz que instituições devem resolver questões práticas, mas não podem ignorar a marca do próprio DNA: produzir conhecimento

Primeira mulher a ocupar o posto de reitora da Universidade Harvard, considerada a melhor do mundo em vários campos de pesquisa, a historiadora americana Drew Gilpin Faust é constantemente instada a fazer com que a instituição que dirige apresente soluções práticas para todos os males que afligem o planeta – do desemprego ao aquecimento global. Harvard não se furta a abordar esses problemas. Mas a reitora faz um alerta. A demanda por respostas instantâneas não pode afastar as instituições de ensino superior de uma missão mais elevada: a produção de conhecimento puro, aquele cuja aplicação muitas vezes não se faz de forma imediata. “A sociedade nos pede soluções. Mas a universidade não deve se preocupar apenas com o bem estar imediato dos seres humanos, precisa fazer também com que eles sejam sábios”, diz.  A acadêmica esteve no Brasil nesta semana para discutir parcerias com universidades locais. “As instituições brasileiras e americanas têm muito o que aprender umas com as outras”, afirma. Na entrevista a seguir, ela explica como Harvard mantém a excelência em ensino e pesquisa, como seleciona seus talentos entre milhares de estudantes e conta como o cargo de reitora alterou sua vida pessoal.

Esta é sua primeira visita ao Brasil e a universidades brasileiras, com as quais a senhora discute parcerias. O que Harvard, considerada a melhor universidade do mundo, pode fazer por nossas universidades? Vejo nossa relação como uma parceria. O Brasil é uma das economias mais dinâmicas do mundo, tem crescido muito rapidamente e, ao mesmo tempo, enfrenta desafios em áreas pelas quais nos interessamos, como meio ambiente. As instituições brasileiras e americanas têm muito o que aprender umas com as outras.

Segundo João Grandino Rodas, reitor da Universidade de São Paulo, a mais prestigiada instituição do país, o ensino superior local se encontra na mesma situação que o americano há cem anos. O que as universidades brasileiras têm a oferecer a Harvard? O Brasil tem ótimos pesquisadores e estudantes com perspectivas diferentes daquelas a que estamos habituados. Temos muito o que aprender com essa diferença.

Harvard recebeu mais de 30.000 inscrições de estudantes ano passado, para preencher cerca de 1.600 vagas. Como escolher os melhores? É preciso ir atrás deles? Sim. Nossos escritórios de admissão visitam escolas dentro e fora dos Estados Unidos para falar sobre Harvard e sobre nosso generoso programa de ajuda de custo. Esse esclarecimento é importante porque a tendência é que o estudante pense que Harvard jamais se interessará por ele ou que ele jamais conseguirá pagar integralmente seus estudos. Por isso, vamos aos estudantes mostrar quem somos, como selecionamos nossos alunos e que apoiamos aqueles oriundos de famílias modestas.

No Brasil, a seleção de alunos é feita a partir de uma única prova. Ao contrário dos Estados Unidos, aqui, não são levados em conta o desempenho dos estudantes no ensino médio ou demais aptidões ou projetos. O sistema brasileiro de seleção prejudica a eficiência de nossas universidades? Eu não ousaria julgar o processo seletivo das universidades brasileiras, mas posso explicar como fazemos em Harvard. Nosso sistema de seleção também está baseado em exames de qualificação, como o SAT (Scholastic Assessment Test, espécie de ENEM nos E.U.A) – parêntese colocado pelo Blog do Gildeon. Além disso, avaliamos ensaios que os candidatos nos enviam. Eles servem para avaliar a escrita e as ideias de cada jovem. Também estamos interessados no histórico escolar do aluno, em como ele evoluiu ao longo do ensino médio, e nas atividades extra-curriculares. É importante mostrar liderança, caráter e diversidade de interesses. A convivência no campus é algo muito valorizado e saber que cada estudante vai contribuir de forma enriquecedora é uma força que nos motiva na hora de selecionar nossos estudantes.

Uma pergunta simples: o que faz de Harvard a melhor universidade do mundo? Além de Harvard ter uma longa tradição de excelência, nos preocupamos em atrair os melhores talentos. E acredito que isso seja parte significativa do que leva Harvard ocupar e sustentar essa posição de liderança. As pessoas sabem que ali é um lugar que nutre talentos e excelência, e todos querem fazer parte disso. Também fomos, ao longo dos anos, recebendo a ajuda generosa de famílias, apoiadores e ex- alunos, pessoas que continuam a contribuir com Harvard mesmo depois de terem deixado a universidade. Essa ajuda é muito importante para nós.

O caráter multinacional do campus, com pessoas de diversos países e culturas, contribui para a inovação e excelência? Certamente. Durante minha estadia aqui em São Paulo, conversei com brasileiros que estudaram em Harvard. Eles me falaram sobre esse caráter multinacional e sobre como isso torna animador o ambiente. Somados todos os níveis de graduação, Harvard conta hoje com de 20% de estrangeiros. Isso torna constante o processo de descoberta. Os estudantes vão buscar no mapa onde seus companheiros vivem, começam a se preocupar com o que está acontecendo no mundo e aguçam suas curiosidades por outras culturas. Também incentivamos nossos estudantes a embarcar em experiências fora dos Estados Unidos enquanto estão cursando a graduação.

Drew Faust (ao centro) encontra estudantes brasileiros durante sua passagem por São Paulo

 

Em artigo recente para o jornal The New York Times, a senhora afirma que as universidades vivem uma crise de propósitos. Poderia explicar essa ideia? Um debate frequente de nossos dias é acerca de como as universidades podem contribuir com as necessidades mais imediatas da sociedade. Algumas delas são necessidades econômicas, e os estudantes vão às universidades de forma a serem treinados e qualificados para futuros empregos. Outras são descobertas e inovações e outros tipos de intervenções que podem ter um efeito imediato no mundo, como a cura de uma doença. Mas as universidades têm outros propósitos, que são de longo prazo e que são mais difíceis de mensurar, mas que são extremamente importantes para todos nós. No encontro que tive com os reitores brasileiros, ouvi uma frase que resume esse pensamento: a sociedade nos pede soluções para problemas práticos. Mas a universidade não deve se preocupar apenas com o bem estar imediato dos seres humanos, precisa fazer também com que eles sejam sábios. As universidades têm esse propósito humano, histórico, antropológico, que nos faz transcender o momento presente. Não nos preocupamos apenas se nossos alunos terão emprego amanhã. Precisamos garantir que eles tenham conhecimento.

Os Estados Unidos e o mundo enfrentam grandes desafios, como superar a crise econômica, combater o aquecimento global, garantir o suprimento de energia, entre outros. Como as universidades, do Brasil e dos Estados Unidos, podem ajudar seus cidadãos? As respostas para esses problemas estão relacionadas ao conhecimento. Portanto, as pesquisas e a educação que as universidades oferecem têm um grande impacto. No ano passado, eu estava em Botsuana e um dos cientistas desenvolveu uma técnica para bloquear a transmissão do vírus da HIV da mãe para o bebê. Foi muito comovente ver como o conhecimento e a pesquisa fizeram uma enorme diferença na vida daquelas crianças. Exemplos como esse mostram como as pesquisas realizadas nas universidades podem realmente fazer a diferença no combate a problemas mundiais.

A crise econômica americana afetou as finanças de Harvard? O que foi feito para superar isso? Com a crise, uma das nossas maiores fontes de renda – as doações vindas de ex-alunos e outros doadores – foi severamente reduzida. Responsável pelo pagamento de 35% das nossas despesas operacionais, as doações sofreram uma queda de 27,5%. Diante desse cenário, tivemos que reduzir nossos gastos, cortando imediatamente custos que identificamos como desnecessários. Em um segundo momento, começamos a identificar mudanças de longo prazo. Fizemos uma análise sistemática da maneira como estamos organizados e buscamos formas de poupar despesas. Ao mesmo tempo, tomamos muito cuidado para identificar prioridades, cuja manutenção deveria ser assegurada. Uma delas é a ajuda financeira que damos aos nossos estudantes. Protegemos áreas como essas, que julgamos vitais para a universidade.

A senhora é a primeira mulher reitora de Harvard. Quais os efeitos disso entre as mulheres, dentro e fora da universidade? Acredito que esse cargo tem uma simbologia muito forte. Quando fui nomeada, recebi muitas cartas e e-mails, particularmente de jovens mulheres, que me diziam que fazia diferença para elas saber que uma mulher podia ocupar o cargo. Lembro-me de ter recebido uma carta de um pai que dizia: “Agora, sei que minha filha pode fazer qualquer coisa.”

A senhora é uma pesquisadora, especialista na história da Guerra Civil americana, além de mãe de duas filhas. O cargo de reitora de uma das mais prestigiadas universidades do mundo certamente alterou sua rotina, não? Sim, mudou bastante. Ao menos não precisei contratar uma babá, porque minhas filhas já estão crescidas! Mas meu trabalho atualmente me ocupa integralmente. Vivo em uma casa dentro do campus e, a todo minuto, sinto que a universidade está presente na minha vida. Harvard está sempre no meu pensamento e também está nas minhas atividades. Então, minha vida é completamente diferente hoje.

 

Entrevista com Drew Faust visualizada na @Veja na aba Educação, conforme link http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/precisamos-formar-sabios

4 de março de 2011

8 de março – Dia da Mulher

Conversa entre pai e filho, por volta do ano de 2031, sobre como as mulheres dominaram o mundo.
– Foi assim que tudo aconteceu, meu filho… Elas planejaram o negócio discretamente, para que não notássemos. Primeiro elas pediram igualdade entre os sexos. Os homens, bobos, nem deram muita bola para isso na ocasião. Parecia brincadeira. Pouco a pouco, elas conquistaram cargos estratégicos: Diretoras de Orçamento, Empresárias, Chefes de Gabinete, Gerentes disso ou daquilo.
– E aí, papai?
– Ah, os homens foram muito ingênuos. Enquanto elas conversavam ao telefone durante horas a fio, eles pensavam que o assunto fosse telenovela. Triste engano. De fato, era a rebelião se expandindo nos inocentes intervalos comerciais. “Oi querida!”, por exemplo, era a senha que identificava as líderes. “Celulite” eram as células que formavam a organização. Quando queriam se referir aos maridos, diziam “O regime”.
– E vocês? Não perceberam nada?
– Ficávamos jogando futebol no clube, despreocupados. E o que é pior: continuávamos a ajudá-las quando pediam. Carregar malas no aeroporto, consertar torneiras, abrir potes de azeitona, ceder a vez nos naufrágios. Essas coisas de homem.
– Aí, veio o golpe mundial?!
– Sim o golpe. O estopim foi o episódio Hillary-Mônica. Uma farsa. Tudo armado para desmoralizar o homem mais poderoso do mundo. Pegaram-no pelo ponto fraco, coitado. Já lhe contei, né? A esposa e a amante, que na TV posavam de rivais eram, no fundo, cúmplices de uma trama diabólica. Pobre Presidente…
– Como era mesmo o nome dele?
– William, acho. Tinha um apelido, mas esqueci… Desculpe, filho, já faz tanto tempo…
– Tudo bem, papai. Não tem importância. Continue…
– Naquela manhã a Casa Branca apareceu pintada de cor-de-rosa. Era o sinal que as mulheres do mundo inteiro aguardavam. A rebelião tinha sido vitoriosa! Então elas assumiram o poder em todo o planeta. Aquela torre do relógio em Londres chamava-se Big-Ben, e não Big-Betty, como agora… Só os homens disputavam a Copa do Mundo, sabia? Dia de desfile de moda não era feriado. Essa Secretária Geral da ONU era uma simples cantora. Depois trocou o nome, de Madonna para Mandona…
– Pai, conta mais…
– Bem filho… O resto você já sabe. Instituíram o Robô “Troca-Pneu” como equipamento obrigatório de todos os carros… A Lei do Já-Prá-Casa, proibindo os homens de tomar cerveja depois do trabalho… E, é claro, a famigerada semana da TPM, uma vez por mês…
– TPM ???
– Sim, TPM… A Temporada Provável de Mísseis… É quando elas ficam irritadíssimas e o mundo corre perigo de confronto nuclear…
– Sinto um frio na barriga só de pensar, pai…
-Hehehheh! Escutei barulho de carro chegando. Disfarça e continua picando essas batatas…

(Luís Fernando Veríssimo)